
Afinal, quem está criando experiências digitais que realmente funcionam para a vida cotidiana?
Existe uma mudança silenciosa acontecendo no Brasil e ela está alterando desde o consumo até a forma como serviços são desenhados.
O público acima dos 60 anos entrou definitivamente no ambiente digital: entre 2016 e 2024, o número de brasileiros 60+ conectados à internet cresceu de 6,5 milhões para 24,5 milhões. Hoje, cerca de 70% dessa população já utiliza meios digitais de forma recorrente.
Mas talvez o dado mais interessante não seja o aumento do acesso e sim a mudança de comportamento que vem junto com ele.
O ambiente digital deixou de ser um espaço secundário para se tornar parte da rotina: banco, compras, entretenimento, mobilidade, telemedicina, serviços públicos, comunicação e até inteligência artificial passaram a integrar o cotidiano maduro de forma muito mais natural do que o mercado imaginava há poucos anos.
E isso começa a pressionar empresas.
Porque, na prática, a economia digital ainda foi construída em torno de um único modelo de usuário: rápido, hiperestimulado e permanentemente adaptável.
Só que a entrada massiva da geração 60+ expõe um problema estrutural: grande parte das plataformas continua operando com excesso de etapas, interfaces confusas, letras pequenas, linguagem técnica e jornadas digitais cansativas.
O ponto central já não é mais acesso. É experiência!
A ascensão do ESG digital
Essa discussão começa a ganhar um novo nome dentro das empresas: ESG digital.
O conceito amplia a ideia tradicional de inclusão e coloca acessibilidade tecnológica como parte da responsabilidade corporativa. Não apenas no sentido social, mas também estratégico.
Porque excluir pessoas do ambiente digital não significa apenas perder usuários. Significa criar barreiras invisíveis para consumidores economicamente ativos.
Hoje, a economia prateada movimenta cerca de R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil, representando aproximadamente 39% do PIB nacional.
E um consumidor conectado muda completamente a lógica de mercado.
Isso explica por que empresas de tecnologia, bancos, healthtechs e plataformas de serviços começam a rever:
- experiência do usuário
- acessibilidade digital
- arquitetura de navegação
- segurança operacional
- linguagem e usabilidade real
A questão já não é mais “como ensinar tecnologia”. A questão passa a ser: quem está criando experiências digitais que realmente funcionam para a vida cotidiana?
