
[por Alexandre Petillo]
Com sete décadas de vida, a televisão no Brasil se atualizou e continua importante na era do streaming.
Talvez alguém aí se lembre. No dia 18 de setembro de 1950, o empresário e jornalista Assis Chateaubriand colocava no ar a TV Tupi Difusora de São Paulo, no canal 3. A atriz mirim Sonia Maria Dorce, fantasiada de indígena – alusão à mascote da Tupi – dizia as primeiras palavras aos espectadores curiosos ao redor dos televisores espalhados pela capital paulista por Chateaubriand: “Boa noite! Está no ar a televisão do Brasil!”.
Em setembro de 2020 a TV continua no centro de nossas atenções. Ocupando menos espaço do que os aparelhos de décadas atrás, mas, olha a contradição: com telas maiores. Ao liga-la, sete décadas depois, é possível assistir milhares de filmes, séries, telejornais, esportes de qualquer parte do mundo, ao vivo ou na hora que o espectador achar melhor. É até possível assistir a Sonia Maria Dorce vestida de indígena em 1950, inclusive. Quem cresceu com esse aparelho, não vai abandona-lo. E melhor: hoje em dia, não somos mais passivos, mas sim ditamos o que queremos espelhar na tela, na hora e quando bem entendermos. Ser responsável por criar sua própria grade de programação é uma atividade que os 60+ estão embarcando cada vez mais.
Segundo dados coletados pelo IBGE nos últimos anos, o aparelho de televisão conectado a internet tem facilitado o acesso dos mais velhos ao conteúdo online, seja para utilizar canais de streaming como Netflix ou vasculhar o infinito acervo do YouTube. Ao mesmo tempo que não abrem mão de assistir os velhos canais de TV para se informar, ver os jogos do time do coração ou entender o que está acontecendo numa eterna paixão nacional: as novelas.
De acordo com uma pesquisa do “Adults’ Media Use & Attitudes” do Reino Unido, um número crescente 60+, incluindo aí os 80+, está consumindo TV via streaming, sem abandonar por completo o papel de telespectador da programação da TV tradicional. Trata-se de um público que, na média, conta com uma renda maior e mais estabilizada e com maior poder de compra. Alguns exemplos: 3 em cada 10 pessoas com 75 anos ou mais utiliza plataformas de streaming para acompanhar seus programas favoritos; 21% do público de 55-64 anos e 11% daqueles com mais de 75 anos consomem filmes programas de TV via streaming semanalmente; 29% do público entre 55 e 64 anos e 9% dos maiores de 75 anos frequentemente assistem a vídeos em sites como o YouTube.
No Brasil, de acordo com levantamento da pesquisa de Tecnologia da Informação e da Comunicação, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso de internet para consumo de filmes, séries e outros programas cresceu. Entre as pessoas que usam a internet para assistir a vídeos, houve um crescimento de 75,6% para 81,8% entre 2016 e 2017, relacionado principalmente à popularização dos canais de streaming como YouTube e Netflix e dos serviços on demand dos canais de TV. Também houve um crescimento no consumo de internet por meio de smart TV, de 11% para 17%.
A TV e seus tantos formatos
E agora, vamos combinar, quando falamos de TV não nos referimos somente à aquele aparelho retangular-que-costumava-ser-quadrado. A televisão também está em nossos bolsos, no celular ou em tablets. Ou no notebook, no computador. Passando os olhos pela pesquisa encomendada pela “Adults’ Media Use & Attitudes”, o número de espectadores mais velhos que também assistem seus conteúdos favoritos em telinhas menores, cresce a cada ano. Muitos utilizam enquanto estão com os netos, filhos ou em trânsito, durante uma viagem. Até mesmo enquanto fazem uma caminhada na esteira da academia.
Podemos já começar a dizer que as gerações mais experientes, que injustamente recebiam o selo de “anti-tecnológica”, cada vez mais quebra esse paradigma e busca aprender e utilizar cada vez mais os benefícios digitais. Entre a geração 60+, o uso de laptops e tablets, segundo estudos, é mais popular, o que faz sentido quando se considera a diferença no tamanho da tela em comparação a um telefone celular.
Sete décadas depois das primeiras palavras ditas na TV brasileira, o aparelho responsável por unir a família diante de um programa, agora é uma ferramenta capaz de integrar toda uma geração sênior ao universo digital e às novas e variadas formas de consumo de TV disponíveis atualmente, misturando novos e velhos jeitos de assistir a seus conteúdos favoritos. Além de ser uma janela com o que está sendo feito de mais moderno em todo o planeta, em tempo real. Nossa história continua sendo contada nas telinhas. Ou telonas.
Grandes momentos dos 70 anos da TV brasileira
O Direito de Nascer
Um dos primeiros grandes sucessos das novelas brasileiras, levada ao ar em 1964. O último capítulo foi transmitido direto do Maracanãzinho.
Beto Rockfeller
De 1968, “Beto Rockfeller” é considerada um divisor de águas nas telenovelas brasileiras, exibida pela TV Tupi. Com linguagem coloquial, uso de locações, um protagonista anti-herói e aproximação com o público, a produção se libertou das atuações exageradas e tramas fantasiosas.
Os festivais musicais
A era dos grandes festivais de música. A Record exibe de 1966 a 1969 o Festival de Música Popular Brasileira e realiza a Bienal do Samba em 1968 e 1971. A Globo tem o seu Festival Internacional da Canção (1966-1972). A Excelsior organiza em 1966 e 1967 o Festival Nacional de Música Popular Brasileira. Os festivais dominavam o público, que torciam por suas canções como torciam para times de futebol.
O Jornal Nacional
Em 1º de setembro de 1969, Cid Moreira e Hilton Gomes apresentam a primeira edição do Jornal Nacional, da Globo. O noticiário vinha substituir o então Jornal da Globo, também apresentado pela dupla, e inovava por ser transmitido simultaneamente para vários Estados do País.
Debate para as eleições presidenciais de 1989
O primeiro debate da história da TV brasileira. As quatro principais emissoras – Globo, SBT, Bandeirantes e Manchete – do país fizeram o mesmo debate ao vivo, as quatro emissoras passando a mesma coisa, com cada bloco sob responsabilidade de uma equipe.
A chegada dos realities shows
Em 2000 a TV Globo levou ao ar o reality show “No Limite”, inaugurando a era da realidade na TV, que perdura até hoje, inclusive nos serviços de streaming.
Os principais serviços de streaming: compare
Netflix – Principal nome desse serviço, responsável por puxar a carroça digital dessa revolução, a Netflix tem o maior e mais variado catálogo, além de lançar novidades com frequência assustadora.
Quanto custa: São três planos, de R$ 21,90, R$ 32,90 e R$ 45,90, com diferenças em qualidade de imagens e telas simultâneas.
Amazon Prime Video – O streaming da empresa não tem a mesma variedade da Netflix, mas também conta com séries originais e, por enquanto, um forte catálogo com filmes da Disney e da Marvel.
Quanto custa: O plano de R$ 9,90 dá acesso não só ao Prime Video, mas a outras vantagens em mercados que a Amazon investe.
Apple TV + – Não tem um catálogo extenso, nem variado. Mas segundo seus executivos, nem será essa a ideia. A Apple quer priorizar grandes estrelas em produções originais, como Jennifer Aniston, Chris Evans, Oprah Winfrey, Tom Hanks e Bill Murray.
Quanto custa: O valor é atrativo — R$ 9,90 mensais —, mas as funcionalidades são mais úteis em aparelhos Apple ou compatíveis.
Globoplay – A plataforma com maior quantidade de conteúdo brasileiro. Dentro do mercado nacional, conta com novelas históricas, programas como BBB, ou com séries como Killing Eve.
Quanto custa: São dois planos, um de R$ 22,90 com acesso à plataforma e outro de R$49,90 que dá acesso a programação ao vivo de todos os canais Globosat.
Mubi – Plataforma de streaming direcionada aos fãs do cinema cult. O serviço apresenta uma seleção de filmes escolhidos a dedo num catálogo que é repaginado diariamente com títulos premiados ao redor do mundo.
Quanto custa: O valor da assinatura mensal é de R$27,90, porém novos usuários podem desfrutar de 30 dias gratuitos.
Belas Artes à La Carte – O Cinema Belas Artes, atualmente intitulado Petra Belas Artes, é um dos principais pontos culturais da cidade de São Paulo. Em outubro de 2019, o local anunciou o lançamento do Belas Artes à La Carte, plataforma de streaming de filmes cult.
Quanto custa: O assinante pode optar pelo plano mensal de R$ 9,90 ou pelo plano anual, de R$108,90 com o desconto de um mês.
Oldflix – Plataforma dedica aos fãs de filmes e séries antigas, com um catálogo recheado de títulos clássicos a fim de agradar todo amante do cinema retrô.
Quanto custa: A assinatura custa a partir de R$ 12,90 por mês e pode ser feita por boleto bancário ou cartão de crédito.