Conecta 60+

Lazer não tem idade, tem repertório

A maturidade contemporânea não busca nostalgia como única narrativa. Ela busca descoberta, circulação, convivência e repertório

Durante muito tempo, o imaginário do lazer na maturidade foi resumido a duas imagens recorrentes: o “baile da saudade” ou os “clubes de idosos”. Espaços importantes em seu contexto histórico, mas que hoje já não traduzem a realidade de uma geração que envelhece com mais autonomia, repertório cultural e curiosidade pelo mundo.

A maturidade de décadas atrás era vivida de forma muito diferente da atual. A expectativa de vida era menor, a aposentadoria costumava significar afastamento da vida social e o consumo de lazer era limitado. Hoje, essa equação mudou: pessoas acima dos 50 e 60 anos continuam viajando, frequentando shows, experimentando gastronomia, fazendo cursos, praticando esportes e explorando novas experiências culturais.

Ou seja, não se trata de criar lazer “para idosos”, mas de atualizar a forma como o lazer é pensado para todas as idades.

Em muitos países essa mudança já vem acontecendo de forma mais natural. Na Europa e na América do Norte, por exemplo, são cada vez mais comuns projetos que estimulam a convivência entre gerações em ambientes culturais, esportivos e educacionais. Algumas comunidades residenciais nos Estados Unidos foram construídas ao lado de universidades justamente para que moradores maduros participem de aulas, eventos culturais e atividades acadêmicas, mantendo uma troca constante com estudantes e professores.

Esse modelo parte de uma ideia simples: aprendizado e entretenimento não têm prazo de validade.

Outro exemplo são as chamadas universidades abertas para adultos maduros, presentes em diversos países, inclusive no Brasil – destaque para a Universidade Aberta da Terceira Idade, em São Caetano do Sul . Esses programas reúnem pessoas em diferentes momentos da vida para estudar história, arte, ciência ou literatura em um ambiente social e colaborativo, muitas vezes com os próprios participantes compartilhando conhecimentos e experiências.

E importante considerar que o futuro do lazer não esteja em criar atividades específicas para quem passou dos 60 e sim em algo muito mais interessante: construir experiências onde idade deixa de ser categoria e passa a ser apenas mais uma história na mesma sala.

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