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Museus, exposições e teatro são atividades preferidas de pessoa 60+, aponta revisão acadêmica

Museus, exposições e teatro são atividades preferidas de pessoa 60+, aponta revisão acadêmica
[por Leonardo Dalla Valle]

Para especialista, programação deve considerar horário e deslocamento acessíveis para atingir público.

Poucas pesquisas se dedicaram a entender a relação da pessoa com mais de 60 anos com as atividades culturais. Os dados disponíveis, porém, apontam o idoso praticamente excluído desse seguimento. O levantamento Cultura em SP, de 2014, ouviu aproximadamente oito mil pessoas de 21 municípios paulistas com mais de 100 mil habitantes. Além de ser o público que menos realizava atividades culturais nos seus municípios no ano anterior à medição, os maduros também eram maioria entre aqueles que nunca haviam ido ao cinema ou bibliotecas.  Entre os motivos listados estavam questões financeiras, falta de hábito, mas, também, dificuldades de deslocamento.  

“Para quem oferece programação cultural, lazer ou entretenimento para a pessoa com 60+, é necessário considerar acessibilidade, valor e também o horário em que a atividade será disponibilizada”, explica a assistente social e mestranda em Gerontologia Social, Mônica Vasconcelos de Albuquerque.

Outro desafio é entender as atividades mais comuns relacionadas a esse público. Ao levantar a bibliografia acadêmica sobre engajamento cultural nesta faixa etária até 2019, a terapeuta ocupacional Lilian Dias Bernardo não encontrou estudos brasileiros.  Um panorama internacional, entretanto, mostrava os idosos mais interessados em atividades culturais receptivas, tais como ir a museus, exposições e teatro.

“Precisamos entender que cada pessoa é única, com características próprias, particularidades, preferências e realidades diferentes, que impactam nas escolhas”, acrescenta Albuquerque.

Estudando na Universidade de Lisboa, Albuquerque vê a população idosa portuguesa tão carente de incentivos culturais quanto a brasileira. “Também há fragilidades lá. Não existem políticas públicas voltadas a essa parcela da população que assegurem os direitos dela. A diferença é que, mesmo sendo o terceiro país da UE com maior índice de indivíduos com mais de 65 anos, proporcionalmente ao Brasil, o número de habitantes é infinitamente menor”, compara.

Entretenimento com valor

Albuquerque, por sua vez, não enxerga diferenças na forma de consumir cultura entre as diferentes faixas etárias. “O que percebo é que as preferências das pessoas mais velhas, em algumas situações, são outras. De nada vale oferecer um entretenimento que não lhe acrescente valor e prazer”, esclarece. “Por exemplo, gostam de teatro tanto quanto outros grupos etários, porém a preferência pelas peças podem ser diferentes. Podem gostar de dançar, mas os locais e horários serão outros”, explica.

Mesmo atividades como oficinas de artesanato e jogos de cartas entre amigos, para a pesquisadora, devem ser olhadas sem preconceito.  “Qualquer atividade que agregue algum valor individual ou fomente a participação e integração social é válida”, enfatiza.

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